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Cinco cidades para conhecer no Vale do Café

Roteiros pelo interior fluminense faz turista viajar pela história do Brasil Império, dos casarões do século 19 até a mesa sempre farta das antigas fazendas de café

Enfileiradas como bons soldados servindo ao Império, as dezenas de palmeiras de até 40 metros de altura formam um corredor natural entre o portão de entrada e o casarão. Silenciosas, acompanham o caminhar de um casal de braços entrelaçados, com trajes que os entusiastas de novas tendências dirão ser o que há de melhor no estilo retrô. Ao chegarem até nós, apresentam-se: “Somos o Visconde e a Viscondessa de Rio Preto, sejam bem-vindos à nossa casa, a Fazenda do Paraízo”.

É dessa forma que começa a viagem no tempo, ou melhor, o nosso roteiro pelo circuito histórico do Vale do Café, região do interior do Rio de Janeiro que ganhou projeção nacional durante o auge da produção cafeeira no Brasil, no século 19.




Dois séculos à frente do que viveu o casal de viscondes e numa área há muito sem café, a cena da nossa recepção é interpretada, na verdade, pelo historiador e guia turístico Adriano Novaes e pela gestora de turismo e guia Samantta de Souza. Vestidos a caráter e com linguajar de época afiado, os dois fazem parte de um grupo que realiza as tradicionais visitas teatralizadas em algumas fazendas da região.

Incentivados pelo projeto do Sebrae para promover o turismo com foco no período imperial batizado de Tour da Experiência, 18 estabelecimentos das cidades de Rio das Pedras, Valença, Vassouras, Barra do Piraí e Piraí criaram produtos que buscam resgatar a história do País entre 1822 e 1889.

Como resultado, atrações diversas que exigem no mínimo um fim de semana para serem curtidas com calma – a distância de São Paulo até Piraí, município mais próximo da capital paulista, é de 338 quilômetros. Ir de uma cidade a outra significa percorrer, em média, apenas dez quilômetros a mais.

O que se encontrará pelo caminho vale por um bom número de aulas de História, desde a preservação da memória material traduzida por objetos e construções de 200 anos atrás até a releitura de nossa gastronomia. Comer (muito) bem, aliás, é regra por lá, e qualquer passeio terminará com ao menos um cafezinho.




Assim como os guias, os proprietários das fazendas muitas vezes se vestem como barões e baronesas para receberem seus visitantes. Acompanhados quase sempre por mulheres negras que ocupam papéis de serviçais sem voz, a situação gera incômodo. Consequência, talvez, da linha tênue que há entre a representação teatral de uma época e a reprodução de preconceitos enraizados na sociedade.

Sentindo-se como uma sinhazinha garbosa, negra alforriada, visconde ou líder quilombola, fato é que a passagem pelo Vale do Café te fará viajar para muito além das estradas terrestres.

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